terça-feira, 8 de setembro de 2009
Hardcore Sitting
Outro site muito legal é do Aaron com vários vídeos sobre o assunto inclusive vários backflips, ou pra nós brasileiros o Mortal!
Sem palavras!
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Transpor limites ou Transcender limitações?
Uma pergunta que permeia o contexto esportivo é qual o objetivo do esporte? Várias respostas que geram novas perguntas são encontradas, seria superar os limites do homem? ou transpor obstáculos? vencer o oponente ou vencer a sí mesmo? Dependendo da pessoa que responder a resposta muda bastante.
O Barão de Coubertin, pedagogo e historiador francês, reconhecido como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna, baseado no lema olímpico cunhado pelos gregos Citius, altius, fortius "Mais rápido, mais longe (ou mais alto), mais forte", responderia que seria pouco apenas medir quem ganha, mas exaltaria o prazer no esforço!
Esta matéria da Globo consegue traduzir um pouco este prazer, prazer que vai além de vencer o outro, vai além de transpor limites da quadra, campo ou pista... para estes atletas imagino que seria transcender as limitações físicas impostas pela "tragédia" ou pela doença, transcender todos os problemas da vida cotidiana. Aproveitando todas as possibilidades que o esporte oferece!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Quebra de Records e Barreiras Psicológicas
É impressionante o força das "barreiras" psicológicas impostas por nossas crenças... é interessante perceber no discurso do treinador do César Cielo, em uma postagem anterior. Onde ele fala que até que alguém consiga chegar nas marcas, vai demorar um pouco para que todos cheguem, mas depois que alguém chegar, daí outros percebem que é possível.

Uma estória que gosto muito está no livro: Minha voz irá contigo escrito por Sidney Rosen, onde há um estudo de caso em que Milton Erickson atende um atleta de nível olímpico. Como se trata de um livro de estudos de caso, alguns dados foram modificados (obviamente o nome!).
Vou transcrever apenas o conceito para que vocês possam ter um gostinho...
Donald era um atleta de lançamento de peso e ao procurar Erickson, lançava a apenas 17m e 40 cm... o que estava muito longe da marca estabelecida.
"Ao colocá-lo em transe perguntei então se sabia se ninguém conseguia correr uma milha (1600m) em menos de 4 minutos até que Roger Bannister quebrou esta marca..."
Contei-lhe: "Bem, Bannister, que estava familiarizado com todo tipo de esporte, sabia que uma competição dessa pode ser ganha por um décimo de segundo; então deu-se conta de que os quatro minutos da milha corresponderiam a 240 segundos. E que poderia baixar a marca de quatro minutos se fosse capaz de correr uma milha em 239 segundos e cinco décimos. E, uma vez que pensou assim, quebrou a marca dos quatro minutos para a milha."
O que me impressiou no vídeo não foi o fato de alguém ter conseguido, mas de que apenas 3 anos depois, em 1957, 16 outros atletas terem vencido a "barreira" dos quatro minutos. E foi isso que Erickson mostrou ao Donald Lawrence. Resultado: 1 bronze 2 medalhas de ouro olímpicas!
Para os curiosos... progressão do Record da Milha!
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
1 Grau de esforço!!!
Ainda não postei um comentário sobre as diferenças entre os psicólogos do esporte acadêmicos e práticos, mas por falta de vontade de esmiuçar esta "pequena" intriga entre ambos. Mas o que posso adiantar é que a forma com que os psicólogos práticos utilizam para o preparo mental pode ser considerada em alguns casos de não empírica e em outros casos de auto-ajuda disfarçada.
Desconsiderando o viés auto-ajuda do vídeo, podemos fazer uma reflexão mais profunda do que leva cada pessoa a atingir seu potencial ou máximo desempenho. Afinal, o vídeo em seu ponto mais pertinente, consegue ilustrar a importância dos mínimos detalhes. Como tenho lido muito Milton Erickson vou postar um outro vídeo e deixar que vocês pensem sobre os tais detalhes...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Limites (A natação mundial e os novos trajes)
Arthur Marcondes Ferraz Silva
arthur.ferraz@allianceclinica.
No esporte competitivo de alto rendimento, os limites estão constantemente presentes, se constituindo como principal ponto de referência a todos os competidores. Eles determinam a diferença entre o real e o irreal, entre o possível e o impossível e entre o sonho e a realização.
Estes limites podem ser vitórias, tempos, distâncias ou um número de pontos. Diversos também podem ser os referenciais, assim como diversas podem ser as barreiras. Treinamento, preparação física, condições fisiológicas, psicológicas, cognitivas e emocionais, dos atletas e seus adversários constituem os limites que são constantemente forçados para cima, até atingirem seu ápice, os Recordes.
Neste último ano, o que temos visto na natação é uma chuva de recordes e grandes marcas pessoais, aos quais se atribuem em grande parte aos novos trajes de competição. Compressão, flutuabilidade e menor atrito é o que prometem os fabricantes. Desigualdade, descaracterização do esporte, bagunça, artificialidade dos resultados é o que pregam os defensores dos conceitos tradicionais (sunga e óculos). Mas a verdade é que hoje é difícil ver um atleta que se propõe a quebrar um recorde ou a vencer uma competição que abra mão destes tais trajes.
Mas além dos critérios técnicos envolvidos temos de olhar por um momento para toda uma transformação que ocorreu na questão psicológica de nossos atletas, principalmente os brasileiros, neste último ano. No alto nível hoje, não se trata mais de jogar a responsabilidade do resultado no traje, de escolher o “caminho mais fácil”, mas sim de assumir a responsabilidade de estar preparado para competir em todos os aspectos envolvidos na competição. Se já é feito o treinamento técnico, o físico, o psicológico, o acompanhamento médico, nutricional, fisioterapêutico, por que ignorar o aspecto tecnológico da prova. Ou alguém ia para alguma seletiva sem polir, ou sem raspar?
Se olharmos para as marcas também observamos pontos interessantes. Vimos marcas caindo dois, três, até mais segundos em algumas provas. Isto depois da introdução dos novos trajes. Se o fabricante viesse prometendo um segundo de melhora com a roupa, onde então estariam os outros segundos? No treinamento, que não sofreu alterações radicais nestes últimos anos? Nos atletas, que continuam os mesmos? Ou em suas cabeças?
A principal contribuição dos trajes, neste último ano, parece ter sido a de tirar a natação de uma zona de conforto. Não que os atletas e treinadores estivessem acomodados, mas estavam acostumados com uma evolução mais lenta e gradual nos tempos, uma referência do que era possível e impossível. Hoje, porém todas as referências foram aniquiladas, os limites desapareceram da cabeça dos atletas, os recordes de repente ficaram em branco esperando para serem reescritos. Com todo respeito a toda a história do esporte, aos heróis e aos chamados atletas artificiais de hoje, mas o esporte tem evoluído e muito em função disto.
Se sentir mais rápido, saber que está mais rápido, saber que todos baixaram seus tempos, que os referenciais ainda estão sendo determinados e que os limites estão frágeis, fazem com que os atletas caiam na água com uma confiança e uma determinação que criam grandes condições para um bom resultado.
O primeiro passo parece então ser o mais difícil. Fazer aquilo que alguém já demonstrou ser possível favorece a repetição de novos feitos. E como exemplo, podemos observar atletas como Michael Phelps em um âmbito mundial e César Cielo no cenário nacional.
Quando Phelps apareceu exterminando os antigos recordes mundiais, acreditava-se que ele era um fenômeno e que suas marcas dificilmente seriam batidas. Ele realmente se provou um fenômeno. Mas mais por sua versatilidade e sua capacidade de vencer diversas provas do que simplesmente por seus tempos. Ele ainda continua sendo recordista da maioria de suas provas, mas muito devido a sua constante evolução, pois aqueles tempos iniciais, que pareciam na época, inalcançáveis já foram a muito batidos por outros atletas.
Podemos ver hoje inclusive, também devido ao fato de Phelps quase ter sido batido na final dos 100m borboleta nos jogos olímpicos de Pequim, que alguns atletas já surgem como potenciais adversários diretos dele em provas que costumava dominar com folga. Isto sem falar nas provas que começou a disputar recentemente, como os 100m livre, e que tem alcançado resultados apenas modestos.
E falando em provas de velocidade, outro exemplo da importância dos referenciais é o impacto da conquista de César Cielo para toda a natação brasileira. Um atleta extremamente dedicado, talentoso e determinado que estabeleceu um novo padrão de qualidade e de viabilidade de grandes resultados para os atletas do Brasil. Cielo mostrou que é possível, que um atleta brasileiro pode disputar de igual para igual uma prova internacional. Que o atleta, sua dedicação e sua confiança, dentro de condições adequadas de treinamento e preparação fazem mais diferença do que o país em que se nasceu.
È claro que discussões a respeito das condições de igualdade podem ser levantadas, questionamentos sobre a transferência da importância dos resultados, dos atletas para os trajes, e até argumentos de perversão do esporte e doping tecnológico acabam aparecendo e ofuscando as performances dos atletas. Mas a questão que não podemos ignorar é a de que: Se alguém, em qualquer condição, já foi capaz de realizar uma performance específica, este desempenho pode ser repetido. Talvez porque o esporte esteja em constante evolução, talvez simplesmente porque os atletas saibam que isso não é mais impossível. Pode demorar anos ou décadas, como os recordes de chinesas e alemãs orientais, através do uso de substâncias proibidas, ou a possível regressão nos resultados após a proibição dos trajes e a volta a sunga, mas que estes recordes com certeza serão novamente batidos eu não tenho dúvidas.sexta-feira, 31 de julho de 2009
Técnico de Cielo diz que marca durará pelo menos 2 anos

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
Se o recorde mundial de Felipe França nos 50m peito durou pouco mais de dois meses, o de César Cielo nos 100m livre deve ter vida muito mais longa. O Mundial de Roma marca o fim da era dos supermaiôs da natação. A partir de 2010, os trajes high tech serão banidos. Com eles, opinião geral, os tempos irão regredir.
"Todos sabem que vão voltar um passo (em termos de tempo). É claro que os trajes ajudam. Mas é possível voltar a bater essa marca", afirma o australiano Brett Hawke, o australiano que transformou Cielo em campeão olímpico e no homem mais rápido do mundo.
Segundo o treinador, que foi quinto colocado nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, a chave para que os nadadores voltem a nadar na casa dos 46 é justamente alguém já ter nadado dentro desse tempo, mesmo com trajes que ajudam na performance.
"Eles já sabem o que é preciso. O quanto é preciso treinar, qual a posição do corpo. Sem o traje, é claro que isso muda, mas a grande questão é que eles sabem o que procurar para chegar. E para um atleta, já ter feito uma marca diz que é possível", analisa.
A quebra, porém, não será imediata. "Nos dois primeiros anos, as marcas vão ser piores. Mas a partir daí, os tempos devem voltar a se igualar", espera. "Até lá, os nadadores terão de parar de se focar em recordes. Mas no final das contas, a pessoa não nada para bater recordes, nada para ser campeão olímpico, para ser campeão mundial", completa.
O próprio Cielo, porém, evita afirmar, com certeza, se sua marca poderá ser quebrada. "Eu nem pensei muito nisso, no que vai acontecer no próximo ano. Nós sabemos o que é preciso fazer (para obter a marca), agora, se vamos conseguir ou não, só saberemos no ano que vem".
A opinião de Hawke, porém, não deve ser descartada. Técnico de Cielo há três anos, ele transformou a piscina da Universidade de Auburn, no Alabama, em um dos maiores celeiros de velocistas do mundo. No Mundial, seus atletas conquistaram um ouro, com Cielo, duas pratas e um bronze.
Treinam com ele o francês Fred Bousquet, medalhista de bronze nos 100m e no revezamento 4x100m livre e recordista mundial dos 50m e o australiano Mathew Targett, prata nos 50m borboleta - além do dinamarquês Jakob Andkjaer, quarto na mesma prova.
O brasileiro e o francês, porém, são as jóias entre seus nadadores. "Eles são os mais rápidos do mundo e vão provar isso nos 50m. Vão se destacar do resto do mundo", prevê.
O segredo, segundo Hawke, é misturar sua experiência como nadador com técnicas novas e antigas de treinamento. "Acho que a experiência de meus anos de nadador ajudam. Eu uso o que eu vivi no passado, como treinei, e coloco o meu toque. E ter atletas talentosos ajuda muito. Eles (Cielo e Bousquet) são muito mais talentosos do que eu".
"CIELO TEM A LARGADA MAIS RÁPIDA DO MUNDO", DIZ TÉCNICO
Com 46s91, César Cielo bateu o recorde mundial nos 100 m livre e levou o ouro
Qual a diferença entre o Cielo que ganhou o bronze em Pequim, no ano passado, e do Cielo campeão mundial em Roma?
O César que ganhou o bronze era um garoto. O que ganhou o ouro, um homem. Ele ganhou muita confiança com a medalha de bronze. Em Pequim, ele não acreditava de verdade que poderia ser campeão olímpico nos 100m. Agora, ele tem 100% de certeza que é o melhor do mundo.
Qual o segredo de Cielo?
Ele tem a melhor saída do mundo. Os primeiros 15 metros são essenciais e o César é, facilmente, o homem mais rápido a deixar o bloco. É sempre um desafio para um velocista se recuperar quando larga pior do que seus adversários. Tentamos explorar nossas forças. Hoje, ele é o mais rápido do mundo e acho que Alain (Bernard, medalhista de prata) e Fred admitem isso.
Ele volta a treinar com você?
Ele esta livre para sempre voltar e treinar comigo. Sabe onde estou, sabe que se sente bem com o meu programa de treinos, mas ele é brasileiro. Adora viver em seu país. Ele sente falta da família e faz um sacrifício muito grande para estar em Auburn. Nunca sabemos se ele vai voltar ou não.*
* Pouco depois de Hawke colocar em dúvida a volta de Cielo, o brasileiro afirmou que em nenhum momento vai descartar Auburn como sua base de treinamento.