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quarta-feira, 28 de março de 2012

Coach Al Morrow - ECSEPS 2012

Acabo de voltar de Londres (Ontário-Canadá) onde aconteceu o ECSEPS. Lá tive oportunidade de aprender com Al Morrow um dos técnicos de remo mais respeitados do Canadá. Boa leitura.

Histórico
Al Morrow foi remador com a equipe olímpica de 1976 e se juntou à Seleção Canadense como assistente técnico da equipe masculina em 1977. Por muitos anos, o trabalho por ele desempenhado teve um papel fundamental no sucesso do remo feminino Canadense – suas atletas conquistaram quatro medalhas de ouro, uma de prata e três de bronze nos Jogos Olímpicos, além de inúmeros pódios em campeonatos mundiais. Entre suas atletas estão, Marnie McBean, Liza Kathleen, Robinson Emma, ​​Korn Alison e Thompson Lesley. Em 1999, o treinador que vive na cidade que acolheu o ECSEPS, foi reconhecido pela federação internacional de remo (FISA) como “Técnico do Ano.” Já no ano de 2006, ele foi nomeado ao “Canadian Sports Hall of Fame” uma das maiores distinções esportivas do país. Abaixo um vídeo (em inglês) contando um pouco de sua trajetória.


Lições
Um ponto em que me chamou atenção em sua palestra foi sua busca continua por conhecimento. Já comentei em outras postagens  sobre algumas pessoas, como o Dr. Robert McNeally em psicoterapia e o Dr. Robert Singer em psicologia do esporte, que me impressionaram pelo seu conhecimento e humildade. Ao meu ver Al Morrow é outro exemplo de pessoa bem sucedida que compartilham a postura de nunca se colocar como o “dono da verdade.” Ao contrário, ele apenas citou momentos em que pode aprender e desenvolver suas habilidades como técnico. 
Em particular, três momentos me chamaram atenção durante sua palestra. Primeiro, Al Morrow comentou que o avanço das ciências do esporte foi um fator imprescindível para a evolução do mesmo. Ele citou o “Summit Series,” torneio de hóquei no gelo disputado em 1972 entre os Canadenses e Soviéticos, para ilustrar como o uso de pesquisadores e novas tecnologias (em ciclos de treinamento, equipamento, etc) poderiam aumentar o rendimento esportivo. Interessante perceber como seu aprendizado não se limitou ao remo (sua modalidade). 
No segundo momento, o técnico disse que participou de congressos para treinadores onde aprendia uma coisa por dia. Gostei da quantificação, não eram diversas ideias inovadoras, era apenas UMA coisa por dia. Ele ainda fez questão de frisar como um colega, que constantemente reclamava sobre a relevância deste tipo de eventos, acabou sendo demitido e abandonando a carreira de técnico.   
Como estou estudando coach learning,  a cereja do bolo veio durante a sessão de perguntas e respostas. Eu não podia perder a chance de perguntar algo para um técnico com essa biografia. Portanto fiz um comentário e lancei minha questão: “Como alguém que atingiu tantos resultados e reconhecimento por seu trabalho, o senhor deve ter acumulado muito conhecimento. Quais áreas você acha que ainda há o que aprender? Se é que considera que ainda há o que ser aprendido?” 
Sua resposta foi contundente: “Em todas!!! O esporte evolui constantemente. Tenho que aprender constantemente.” Al Morrow ainda falou como usava consultores em diversas áreas, desde aerodinâmica...  “estamos levando barcos e atletas para túneis de vento para aprender como melhorar a aerodinâmica…” e é claro em psicologia do esporte. Continou: "Já trabalhei com diversos psicólogos do esporte, entre eles Terry Orlick (Universidade de Ottawa), Craig Hall (Universidade de Western), Natasha Welsch (Universidade de Western) e sempre aprendo algo com eles.”
Interessante notar que todos os citados eram PhD em psicologia do esporte. Talvez eu esteja trilhando o caminho certo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Técnicos do Qatar

Durante o mês de maio tive a oportunidade ímpar de trabalhar com duas grandes instituições canadenses ligadas ao esporte. A primeira é a CAC (Coach Association of Canada) ou a associação de técnicos canadense, enquanto a CNMM (Centre National Multisport-Montréal) é responsável por fornecer estrutura para os atletas de alto rendimento da província de Québec. Através de um convênio firmado com o Comité Olímpico do Qatar, dois técnicos de seleções de base (15-17 anos) vieram à Montréal para participar de um curso orientado a treinadores de nível olímpico.
Diferentemente do Brasil, no Canadá não é obrigatória a formação em educação física para que alguém possa ser treinador de uma equipe esportiva, seja ela infantil ou adulta.O curioso é que mesmo alguém que não tenha a menor intimidade com o esporte pode ser "pressionado" a virar técnico. É muito comum o papel do Pai-Técnico-Voluntário que reune as crianças do bairro para "treinar" o esporte que o filho gostaria de jogar. O conselho de Educação Física Brasileiro, nos faz lembrar constantemente como este tipo de tapa-buraco pode por em risco a saúde das crianças. Pensando nisso a CAC criou o NCCP (National Coaching Certification Program), ou seja, programas de aprendizado com intuito de aumentar os conhecimentos específicos em mais de 67 esportes, reduzindo assim a ocorrência de possíveis acidentes devido a não-formação destes "treinadores".
Nas próximas postagens vou contar algumas das estórias que ouvimos ao longa dessa caminhada de descoberta do esporte Canadense/Quebecois.
Um dos aspectos que mais me impressionaram, foi a qualidade dos facilitadores do curso. Todos eram técnicos de alto desempenho(ou ex-técnicos) e doutores em suas áreas (fisicologia, psicologia do esporte, pedagogia do exercício), ou seja, eles conseguiam unir o conhecimento acadêmico ao conhecimento prático! Um dos facilitadores foi o técnico dos campeões olímpicos no revezamento 4x100 de Atlanta. Muita imformação!!