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quinta-feira, 8 de abril de 2010

AAHPERD National Convention and Expo 2010

Conheci o Prof. Newton no Uruguai, durante o primeiro congresso de Psicologia do Esporte que participei , naquela época ainda tinha cabelos longos e era estudante de psicologia. Meus cabelos mudaram mas o que continua o mesmo são nossos encontros em congressos da área pelo mundo.
Infelizmente neste não pude participar, mas o Newton foi e me contou um pouco sobre o evento.

Blog: Fale um pouco sobre o evento?
Newton: O congresso nacional da AAHPERD (American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance) Aliança Americana de Saúde, Educação Física, Recreação e Dança é um encontro anual dos profissionais destas áreas que abrigam ainda as seguintes entidades: AAHE (American Association for Health Education); AAPAR (American Association for Physical Activity and Recreation); NASPE (National Association for Sport and Physical Education); NDA (National Dance Association) e NAGWS (National Association for Girls and Women in Sports).
          Os trabalhos inscritos devem estar ligados a uma das áreas definidas: Melhores práticas, Pesquisa, Experimentais e Tendências e Tópicos. 
Blog: Qual sua contribuição para o evento?
Newton: Procuro sempre eventos internacionais para completar meu conhecimento e ampliar o contato com os profissionais das Ciências do Esporte. A realidade da Educação Física americana, é bem diferente da nossa. Lá o professor é muito pouco valorizado em relação ao técnico de esportes.
          Em 2009 fui convidado pelo Professor Dr. Gylton da Matta, que hoje trabalha na Universidade do Northern Colorado, para participar de um Workshop sobre o voleibol. Ele foi atleta e técnico de vôlei no Brasil e depois em universidades americanas. Nosso workshop foi um sucesso, principalmente porque mostramos que no Brasil o técnico deve ser formado em Educação Física, ao contrário dos EUA onde um pai pode ser técnico de “fim de semana”. Além disto, o vôlei faz parte da vida dos alunos desde o início do ensino fundamental, enquanto, nos Estados Unidos, alguns alunos só tem oportunidade de iniciar esta prática na universidade.
Blog: Como você percebe que a experiência brasileira pode somar em uma realidade americana?
Newton: Apesar das diferenças culturais e da educação, temos vários problemas em comum e as soluções podem ser estudadas e aplicadas de forma conjunta. Estamos mais desenvolvidos em alguns aspectos e eles em outros e esta troca de informações e ajuda mútua será benéfica para todos nós.
          Por exemplo, após meu workshop sobre o Handebol, o editor de um dos principais periódicos de Educação Física e Esportes veio conversar comigo. Ele gostou muito do que apresentamos e nossa contribuição pode ser importante para outros profissionais. Ele nos solicitou um artigo técnico sobre a introdução e aplicabilidade do Handebol em escolas americanas, como auxiliar o professor a inserir este esporte nas escolas e nos clubes. 
          Apresentamos vídeos de mini-handebol, handebol de areia, handebol em cadeira de rodas e os pequenos jogos para iniciar o handebol. O Prof. Gylton iniciou a apresentação, baseada no modelo americano de ensino que define bem os critérios da atividade física que está sendo realizada, formas de avaliação e principalmente as formas diferenciadas ou adaptadas da modalidade. 

          Como trabalhei como técnico de handebol em escolas públicas e particulares, por 13 anos e como assistente técnico de uma das melhores equipes masculinas do Brasil, apresentei os fundamentos e conceitos básicos do handebol, principalmente na formação do jogador e o que deve ser percebido pelos técnicos para que os atletas possam se desenvolver no handebol. 
Blog: Já nos encontramos em algumas cidades do mundo. O que te leva a participar de tantos eventos internacionais?

Newton: A expectativa é de encontrar profissionais de várias áreas e principalmente daquelas que tenho mais interesse, como a Psicologia do Esporte, o Voleibol e o Handebol. Conhecer realidades diferentes e trocar experiências profissionais é muito importante para o desenvolvimento nas Ciências do Esporte. Rever os amigos e desenvolver novos projetos é também um dos objetivos destes eventos. Neste congresso, encontrei professores de universidades americanas e canadenses e após várias conversas já definimos as propostas de workshops e pesquisas para os próximos eventos de 2011 e 2012, além de parcerias em artigos científicos envolvendo os aspectos culturais, de nossos países, na Educação Física e nos Esportes. 
  
Blog: Qual a dica que você daria a quem pretende participar de eventos como esse?
Newton: Quem se interessa pela pesquisa e pelo desenvolvimento de sua área, deve estar atento aos eventos internacionais. Este ano autores importantes, na Psicologia do Esporte, como o Prof. Dr. Jean Côté, da Universidade de Quenns, Canadá, o Prof. Dr. Wade Gilbert, da Universidade de Fresno, USA, participaram do evento.
          Neste congresso de 2010, vieram pessoas de vários locais, tais como, Canadá, Porto Rico, Grécia, Alemanha, Espanha, Taiwan, etc. A oportunidade de conhecer as outras pessoas aumenta o network profissional, o que proporcionará várias oportunidades ao longo da vida.
          Para 2011, já foi definido que o evento será em San Diego, na Califórnia. Quem tiver interesse em participar deve começar a buscar as informações desde já, pois o prazo para envio de proposta de trabalhos, palestras, workshops e posters é o dia 15 de junho de 2010. Maiores informações podem ser obtidas no site da AAHPERD:
    http://www.aahperd.org/whatwedo/convention/2011callforproposals.cfm



Contatos:
Prof. Newton Santos Vianna Júnior, M. Sc.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Mudança na Ginástica

Há dez anos... algumas promessas da Ginástica apareceram neste vídeo... fico pensando ao ver aos programas esportivos deste final de semana que traziam as mudanças no cenário da ginástica no Brasil. 


Alguns rostos duplamente novos, afinal estamos falando de atletas com 16, 17 anos que estão estreando em competições internacionais. Fico pensando como será ver este mesmo vídeo em 2019... 


O segundo vídeo sequer mostra a Bruna Leal, apenas cita seu nome... alguns dias mais tarde há vários vídeos só sobre ela. E assim a mídia segue buscando novos heróis para preencher nosso imaginário!


Falando em Heróis... minha sugestão é o livro: O imaginário esportivo: o atleta e o mito do herói da Dra. Kátia Rúbio. 

Quem gosta de Jung vai adorar este livro, reflexões profundas sobre a forma como o imaginário coletivo vai em busca deste seres míticos.
Já o último vídeo tem em sua chamada: 


Caçula da equipe, Bruna Leal é a única brasileira nas finais do Mundial de ginástica

Com apenas 16 anos, estreante supera nervosismo e chega à decisão do invididual geral da competição, disputada em Londres, na Inglaterra.
Em nenhum outro momento o nervosismo é citado. Vale lembrar que algumas ginastas brasileiras foram achadas mais "velhas" como a Daiane com 11 anos enquanto a Laís Souza iniciou aos 4 anos de idade. Portanto é um esporte que normalmente expõe os jovens atletas desde muito cedo à pressão competitiva. Gostei do comentário da Bruna, este é como se fosse nosso trabalho... demonstrando que pro repórter pode até ser uma surpresa ela ir à uma final, mas para ela é fruto de trabalho bem feito.

Façam bom proveito!














quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crianças sonham em participar da Olimpíada de 2016

mais trabalho para os Psicólogos do Esporte!

Achei esta matéria bem interessante...




Vale a pena refletir sobre como a mídia vai criando um cenário de pressão sobre as crianças, adolescentes e até atletas de ponta.

Será que esta "expectativa" exacerbada não pode gerar mais pontos negativos do que positivos? O que dizer do Chinês recordista mundial dos 110 com barreiras, que não conseguiu largar de dor. A cena da multidão abandonando o "ninho de pássaro" é impressionante.

Como o elevado nível de expectativa pode gerar castelos de sonhos e oceanos de desilusão. É claro que sonhar não custa nada, mas como manejar este sonho, transformando-o em metas claras (específicas, mensuráveis, temporais, relevantes e alcançáveis) sem jogar todo o "peso" em cima dos atletas.

Até hoje não acredito no que ouvi durante as Olimpíadas de Atenas, onde havia um a grande expectativa de que ela pudesse conquistar o ouro, afinal havia conquistado a medalha de ouro em etapas da copa do mundo... mas essa estória vocês já sabem... o que me deixa indignado é o fato de repórteres minutos antes da sua apresentação de solo perguntarem:

- Daiane, como você se sente podendo se tornar a primeira negra da história da ginástica a conquistar uma medalha de ouro?

A resposta pouco importa, saber que será a primeira brasileira já era uma grande responsabilidade, ter que carregar o Brasil todo nas costas é duro, mas carregar toda uma história de injustiça racial... não se compara! É muita pressão... não estou dizendo que foi isso que fez com que ela errasse!!! Mas minutos antes da prova é o momento onde o atleta deve esquecer do mundo, concentrar na plano de competição!

Espero que até 2016 possamos aprender com nossos erros e com os acertos de tantos outros países!

Lembre também o post sobre a influência dos pais.

domingo, 27 de setembro de 2009

Sedes Sapientiae

Por sorte na última sexta estive em São Paulo e pude participar do primeiro dia do IV Simpósio de Psicologia do Esporte no Instituto Sedes Sapientiae.

Comecei a escrever esta postagem com o Simpósio em mente, mas enquanto as palavras chegavam resolvi mudar um pouco o rumo dessa prosa. Isso pelo fato do Instituto Sedes fazer parte de uma fase muito importante da psicologia do esporte no Brasil. Algo que foi muito bem dito pela Dra Kátia Rúbio na abertura doIV Simpósio, é que foi justamente após o I Simpósio, realizado para que os formandos em suas turmas de Especialização em Psicologia do Esporte, que um grupo de professores e especialistas decidiu criar a ABRAPESP, desde então diversos livros foram produzidos, vários seminários e outros eventos de nível internacional, além é claro de mais de 60 especialistas em Psicologia do Esporte espalhados pelo Brasil disseminando um conhecimento claro não apenas sobre o fenômeno esportivo, mas sobre seu principal protagonista, o Ser-humano.

Um detalhe importante é que o curso continua sendo o único reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia a formar especialistas!

Vou entrar em contato com algumas pessoas que estavam no Simpósio e solicitar que eles escrevam algo sobre este evento de excelente nível! Aguardem!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Influência dos Pais no Desenvolvimento Esportivo da Criança

Professor Newton Santos Vianna Júnior, M. Sc.
Mestre em Educação Física - Psicologia do Esporte
Belo Horizonte - Brasil
newtonviannajr@superig.com.br

A família tem uma influência muito importante no desenvolvimento das crianças em diversas áreas. No ambiente esportivo não é diferente e essa influência foi fundamental para o desenvolvimento daqueles atletas que conseguiram atingir o alto nível. Estudos realizados com experts, em diferentes esportes, apresentaram fases de desenvolvimento, com características próprias em relação ao envolvimento dos atletas, técnicos e pais.

Uma grande discussão é sobre o aspecto genético na contribuição para o atleta chegar ao alto nível. Muitas famílias de esportistas crêem que seus filhos são esportistas porque são geneticamente "dotados do esporte". Se conversarmos com estas famílias veremos que os próprios pais foram os primeiros "técnicos", foram os responsáveis pelo interesse dos filhos pelo esporte, ou iniciaram os filhos nas atividades esportivas, por acharem que é importante ou pela própria companhia na atividade. Por certo a genética é importante, mas a oportunidade de participar e vivenciar o esporte é muito maior. O ambiente tem uma influência muito mais importante que a genética e é aqui que, tanto os pais quanto os técnicos e professores, podem influenciar.

Na fase inicial, ou de "experimentação", a grande variedade de estímulos e oportunidades nas atividades psicomotoras vão proporcionar uma base de experiências e diferentes "situações-problemas" que levarão a criança a vivenciar, em um primeiro momento, através da solução baseada em tentativa e erro, e em uma fase posterior, através de uma atividade orientada pelo técnico ou professor, a oportunidade de aumentar sua capacidade e habilidade de praticar atividades com sucesso e enriquecendo seu repertório cognitivo e motor.

Neste momento, o mais importante é o divertimento, lazer. A família deve participar incentivando e apoiando os filhos, valorizando o esforço e a dedicação. Esta é única cobrança admitida. Os pais devem estar atentos para evitar cobrar de forma estressante e ameaçadora o desenvolvimento, baseado somente em resultados. A grande contribuição que os pais podem dar nesta etapa é a de proporcionar uma diversificação de estímulos e apoiar a participação e o divertimento da criança.

Na fase intermediária, ou de "especialização", a criança já começa a se interessar por uma ou duas atividades em especial. Ainda é importante se dedicar a mais de um esporte. Existe uma maior dedicação à aprendizagem e ao desenvolvimento das atividades escolhidas, e começa uma prática mais estruturada com um tempo maior de prática nesta atividade. A especialização se refere à atividade escolhida, (ex. Voleibol) e não a uma situação específica dentro da atividade (ex: cortador ou levantador). A família aumenta o apoio financeiro, assim como a procura pelas melhores condições materiais, instalações e profissionais qualificados.

Na fase final, ou de "investimento", a criança começa a se dedicar a apenas uma atividade. O compromisso dedicado à prática da atividade, assim como o tempo de treinamento e a preparação são mais intensos. As atividades são mais elaboradas e o nível das habilidades é mais refinado. Dependendo do esporte, podemos notar um amplo domínio da técnica para a execução. A motivação e o nível de esforço requerido para o desenvolvimento são maiores, e o domínio das habilidades, por parte da criança, já pode ser percebido como muito superior ao das pessoas da idade dela. Os resultados, tanto de performance, quanto de classificação em competições, já são comuns, e devem ser valorizados e constantemente reavaliados para orientar o desenvolvimento da pessoa. Nessa etapa, o envolvimento com o técnico é maior do que com a família. O papel da família é, principalmente, o de mostrar interesse e apoiar a atividade escolhida, ajudar a enfrentar as dificuldades e situações que possam prejudicar o desenvolvimento do atleta, sejam de ordem financeira, social, educacional ou de saúde.

Essas fases comprovam a evolução da aprendizagem até a especialização, dando ênfase especial ao papel do treinamento estruturado e bem organizado, assim como o aspecto construtivista no desenvolvimento da performance do "expert". Em cada uma dessas fases, o papel dos pais é diferente e necessário.

É necessário um desafio nas tarefas a serem realizadas, no sentido de incentivar a preparação e evitar o desestímulo e o abandono da atividade. As metas devem ser desafiantes, mas alcançáveis, gerando a necessidade e o interesse pelo desenvolvimento na prática e no treinamento da atividade, mas sempre de forma educativa, enfatizando a aprendizagem através do divertimento. Os pais podem auxiliar os técnicos relatando as atividades e os comentários a respeito dos treinamentos e das competições.

Todavia, deve haver um equilíbrio na relação atleta-pais-técnico, sendo que o sucesso do desenvolvimento do atleta depende enormemente da convivência harmônica, do comprometimento e do sucesso no trabalho realizado por cada uma das partes dessa tríade. Mas qual seria o nível ideal de cobrança, por parte dos pais, para que seus filhos tenham uma reação positiva no treinamento e principalmente na competição? Verificou-se que baixos níveis de cobrança têm relação com uma reação positiva, e altos níveis de cobrança mostram reações negativas por parte dos filhos.

O mais importante, respeitando-se a individualidade de cada pessoa, é que quanto mais cedo se iniciar o contato da criança as atividades esportivas, quanto mais tempo dedicado a um esporte, maior será o compromisso e orientação, melhor será a qualidade do seu domínio no esporte em questão. Logicamente, ninguém será campeão da noite para o dia. Mas, o primeiro passo já estará sendo dado, participar de uma atividade saudável, prazerosa e em direção ao raciocínio lógico e à estratégia aplicada aos jogos mais complexos e à resolução de problemas na vida.
Então, o que os pais podem mudar na sua postura, de imediato? Quantas vezes, as crianças chegam correndo para nos contar que participaram de uma jogo ou atividade na escola, e a primeira pergunta que fazemos é: "quem ganhou o jogo?" ou "quem foi o melhor?". As perguntas deveriam ser: "você se divertiu?", "você jogou bem?", "o que você gostou mais?", "O que você aprendeu de bom com esta atividade?". A importância é dada ao que a criança gosta e valoriza. Ao mesmo tempo, ela estará desenvolvendo suas habilidades físicas e mentais, iniciando a aprendizagem de lidar com várias atividades, comparar as diferentes performances e resultados. Isso tudo será aprendido sem o estresse causado pela importância que se dá a só vencer ou a ter ótimos resultados a curto prazo.

Provavelmente nem todos chegarão ao alto nível, mas todos poderão participar de atividades que trarão benefícios para a saúde, física e mental, terão oportunidade de conviver em um ambiente saudável, fazer amigos, participarão de eventos esportivos amistosos e oficiais, poderão conhecer outros lugares e outras pessoas que passarão a fazer parte de sua rede de relacionamento ao longo da vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Psicólogo do Esporte tem que ser ex-atleta?

Este é uma pergunta recorrentemente feita por quem está conhecendo a Psicologia do Esporte. Uma resposta curta e grossa poderia ser: "Então para tratar pacientes com ideações suicidas é necessário que o psicólogo tenha tentado o mesmo, ou então ser pai para atender crianças e por aí vai!" Bem, essas não seriam respostas de psicólogo. Ele poderia responder que o conhecimento do esporte é muito benéfico, pois pode auxiliar o psicólogo a trabalhar com seu(s) cliente(s) por estar habituado com a terminologia utilizada no esporte, por já conhecer as demandas da modalidade, quais os grupos musculares ou habilidades psicológicas envolvidas, além de passar ao atleta uma "sensação" de já ter estado no mesmo barco. Todas estas informações prévias podem auxiliar ao psicólogo e dá-lo a possibilidade de trabalhar com o que Milton Erickson denominou de utilização, isto é utilizar elementos que podem ser frases, gírias ou expressões do esporte, sensações e sentimentos vivenciados na modalidade, para que o psicólogo possa embrulhar para presente aquela sessão ou atendimento. Independentemente de ser uma sessão clínica ou apenas um momento de feedback sobre algo observado no treinamento.

Mas então como exigir que o psicólogo saiba de detalhes de cada uma das inúmeras modalidades existentes?

No último congresso brasileiro da Abrapesp, discutiu-se sobre esta pergunta e de acordo com a Prof. Kátia Rúbio e com o Dr. Joaquim Dosil, é de fundamental importância que o psicólogo do esporte saiba muito bem sobre as demandas do esporte em que ele está atuando. Para tanto não se faz necessário uma experiência previa no esporte, mas isso torna o trabalho do psicólogo mais árduo, pois este terá que pesquisar de diversas formas (livros, entrevistas, observações e quem sabe até experimentações) para saber qual o contexto em que este seu cliente está inserido.

O próprio Dr. Dosil, incentivou todos os presentes a praticarem os esportes dos quais fossem consultores, ou que pelo menos estivessem envolvidos de alguma forma em atividades físicas. Seu argumento era que ao estar apto a realizar atividades físicas, o psicólogo ganha espaços privilegiados de atuação, afinal o setting do psicólogo esportivo, de acordo com Andersen, é o campo, ginásio, academia, quadra, vestiário e algumas raras vezes uma sala parecida com consultório. Neste evento o próprio Dosil mostra uma foto que foi publicada pela imprensa espanhola dele e um de seus atletas, automobilista, ambos correndo para reconhecerem o trajeto da pista de perto.

Esta postura me incentivou a iniciar novamente um programa de atividades físicas, afinal saber todos os benefícios físicos e psicológicos que o esporte tem a oferecer e não usufruir destes benefícios, não me parecia muito inteligente. O interessante que o beneficio que procurava não estava ligado aos citados, mas justamente ganhar alguns minutinhos ao lado dos atletas da AEEP. De qualquer forma esta estratégia está dando resultados, já estou conseguindo acompanhá-los e estabelecer um rapport ainda melhor. Olha que interessante exemplo de motivação! Quem observa de fora sem entrar nos meus motivos pode acabar se perdendo e intervindo de uma forma que não seja motivadora por não estar ligada aos MEUS motivos. Mas essa é outra estória!

Um ponto onde o profissional de educação física dá uma lição aos psicólogos é justamente nessa coerência, afinal na própria faculdade de Ed. Fisica os alunos devem participar de aulas práticas de cada modalidade, quando em psicologia pode-se concluir o curso sem ter feito terapia.

Vale também ressaltar os riscos corridos pelo ex-atleta que por ter uma vivencia muito intensa dentro do esporte. Ele pode confundir seu papel e "atropelar" o técnico. Então vale lembrar: "cada macaco no seu galho" ou a multidisciplinaridade deve andar em conjunto com as limitações e delimitações do trabalho de cada profissional, sabendo até onde podemos intervir.

Quando este é torcedor do time então isso pode ser ainda mais desastroso!

Abraços,

Tiago